Yô mina ! Eu sei que hoje não é dia de postar minha fic mas resolvi postar dois dias mais cedo porque na quinta feira eu estarei ocupado e como sou muito responsável não quero deixar vocês esperando. Mas não se preocupem, o dia de lançamento continuará sendo na quinta até segunda ordem. Então chega de papo e clica em leia mais ai para contemplar mais um capitulo da minha mais nova obra.
"Fitas que o vento não leva"
-O... O que você disse?- sussurrou
-Ela ficou mal durante a noite, Lorde Afros mandou chamar todos os mestres e curandeiros do castelo, mas ela não resistiu e faleceu essa manhã, na verdade Lady Mono sempre teve a saúde...
O rapaz o deixou falando e partiu em disparada para o castelo, seu peito doía, sua respiração ofegava, já não sua perna machucada, já não sentia nada.
Havia um pequeno amontoado de gente envolta do local, quando se aproximou foi bombardeado por olhares curiosos de todos os lados, andava em direção ao castelo enquanto as pessoas abriam alas para que passasse, o silencio prevalecia, mas Vander podia escutar de longe os sussurros enquanto caminhava, “É realmente muito triste.”, “Tão Jovem”, “Ele deve estar arrasado”. Os guardas do castelo o deixaram entrar, havia algo no olhar deles, algo que irritava a Vander mesmo que não quisesse se preocupar com aquilo, pena.
A primeira pessoa que lhe disse alguma coisa ao chegar foi Lise. A criada tinha os cabelos desgrenhados e olheiras profundas como se não tivesse dormido, seus olhos estavam inchados e quando encontraram o recém-chegado desataram lagrimas enquanto ela ia correndo abraça-lo.
-Vander! Eu não pude fazer nada, eu queria, mas... –disse ela aos soluços. – Foi rápido demais... Eu estou tão triste, me perdoa, eu não pude...
A mulher estava acabada, chorando contra seu peito, suas lagrimas quentes molhavam sua blusa de cota, sentia as unhas dela cravar-lhe as costas em um abraço de quem busca forças para se manter de pé, porém ele... Ele mesmo não sabia mais como se sentia, não disse uma palavra nem sequer a abraçou de volta, era movido por um desejo, precisava ver, tinha de ver.
Afastou Lise e a deixou chorando enquanto seguia para o salão principal, de alguma forma sabia que era pra lá que deveria ir. Havia muito guardas no castelo, mas nenhum deles o impediram de prosseguir, somente o olhavam, com aquele maldito olhar.
-Vander! – chamou o irmão sacerdote de Mono quando ele entrou no salão. –Eu sei como esta se sentindo, é realmente uma perda para todos nós, mas os deuses sabem o que fazem e acharam por bem leva-la para os jardins luminosos mesmo que jovem. Não devemos questionar, mas não quer dizer que não possamos sentir pelos mortos, devemos apenas ... Aceitar.
O salão estava diferente do que se lembrava, haviam removido as mesas e cadeiras, o grande trono do lorde também não estava mais lá, só o que havia eram pessoas vestidas de preto, Afros e seus filhos, juntamente com seus genros e noras e seus netos, todos da nobreza de Tebas, era um diferente ali, um bastardo inútil e imóvel que só fazia ouvir as palavras ensaiadas de um sacerdote pouco mais velho que ele mesmo. Todos no local estavam de pé o encarando, todos enfileirados em meia lua, em volta de uma mesa ornamentada com flores brancas, nela projetava um caixão de madeira maciça e talhado de ouro, estava preenchido também de flores que dava uma linda graciosa forma ao corpo que lá estava.
Mono jazia ali bem a sua frente, imóvel, sem vida. Seus braços tinham sido delicadamente colocados sobre seu corpo entrelaçando os dedos entre si e uma flor que diferentes das outras era vermelha. Seus cabelos estavam bem escovados e seu rosto meigo e lindo como se dormisse, vestia um vestido longo branco, que era tradição naquelas que morressem ainda virgens.
-Devido a visitas que podem ocorrer de senhores do sul, o corpo dela ficará aqui o dia todo até amanhã de manhã quando a velaremos e a enterraremos no septo sagrado de nossa família. Quero que saiba que tem a minha permissão para ficar o tempo que quiser com ela. –disse Lorde Afros.
Vander não respondeu, e sentiu que mesmo se tentasse não conseguiria. Sua garganta estava seca, inspirava e expirava histericamente, o ar descia-lhe frio até os pulmões. Não conseguia chorar, não conseguia demonstrar tristeza, apesar de sentir que carregava uma carroça nos ombros. Olhou novamente para os que estavam na sala, todos continuavam o encarando menos Varsian que repousava seu olhar em Mono. Sem aviso, deu de costas e saiu do aposento. Não andava nem corria, vagava ligeiramente por entre os corredores de pedras, o castelo o sufocava, precisava sair dali.
-Vamos o deixar sair assim meu pai? – perguntou Veneys.
-Que diabos espera que façamos? Ele esta tão triste como nós, mas falta-lhe a maturidade de um homem para encarar os fatos.
-Eu digo que deviam mandar alguém até ele, pois me parecia estranho, tenho medo do que pode fazer.
-Que um menino de sua idade pode fazer além de chorar? Deixe-o sozinho ele precisa desse momento tanto quanto eu. Mono era minha filha querida e tudo aconteceu tão rápido que eu me sinto um velho incapaz. –Ele esfregava os olhos úmidos. –Mas hoje alguns dos lordes de toda Prostatheon virão dar seus pêsames e prestar seu luto e não posso demonstrar fraqueza perante eles.
Vander encontrava-se deitado sob as árvores, especificamente a oliveira dos campos Lusidizis, que reluzia um tom amarelado com o sol do meio dia. Aquele inicio de tarde parecia mais sombrio e silencioso que os demais, não havia aves nem se ouvia animais terrestres, o céu estava cheio de nuvens cinza-claro e os raios de sol surgiam e desapareciam conforme seus movimentos. Era como se tudo a sua volta lamentasse por ele, lamentasse por ela.
Começou a admirar os grandes galhos das oliveiras. Entre suas folhas havia varias fitas coloridas amarradas em forma de laço, umas vermelhas, outras azuis e algumas amarelas. Lembrou-se de quando as amarrou ali. Um dia enquanto caminhava com Mono, perceberam uma fita enrolada em um dos galhos superiores, estava suja e desbotada, mas ainda sim presa. Durante semanas e semanas sempre caminhavam naquele bosque reparavam naquela fita que se prendia teimosamente entre as folhas amareladas. Uma vez então em uma caminhada ele começou:
-Vê aquela fita?
-O que tem ela? –perguntou a Lady.
-Te digo que ela é como nosso amor.
-Proibido e escondido entre as arvores? –arriscou ela.
-Não. Bom isso também. –riu desconcertado. –mas há algo mais.
Ela então parou de andar mantendo a mão junto à dele com os dedos entrelaçados.
-O que seria então? O que tem aquela fita velha com nosso amor? –perguntou em tom de curiosidade.
Ele então parou a sua frente e apontou para a fita.
-Perceba, não sei se alguém a pôs ali ou se foi trazida pelo vento, não sabemos de onde veio. A única coisa que sabemos é que ela esta ali, sobrevivendo aos ventos frios e fortes e aos raios de sol, não caiu nem mesmo com as pesadas chuvas ou com a neve. Por isso digo que é como nosso amor, resistente e infinito, que supera tudo.
Mono o tomou nos braços e deixou seus lábios tocarem sua face. Lábios doces como mel que lhe beijavam a bochecha todas as vezem que se encontravam; a marca de que ela também era apaixonada por ele.
Um dia enquanto cavalgava em sua égua se deparou com a mesma oliveira, porém daquela vez a preciosa fita não estava mais lá, devia ter sido levada pelo vento pensou, mas mesmo que parecesse uma coisa boba aquilo o deixou triste. Voltou à vila e pediu a uma costureira que lhe desse todos os retalhos de tecidos de várias cores que tivesse de sobra. No dia seguinte a árvore estava toda enfeitada com fitas, o que foi o motivo de mais um beijo.
Aquela lembrança fez com que enfim uma lágrima descesse em seu rosto, triste e solitária assim como ele, escorria até sua boca. Sentiu o gosto salgado da solidão. Tentou afastar essa lembrança do significado das fitas que via e virou o rosto, percebeu uma grande marca de ferradura no chão, era de sua égua. Lembrou-se das vezes que levava Mono até o riacho montada em sua montaria preferida: Agro. Tinha um nome masculino, mas era sim uma égua, um animal formidável de raça pura e pêlos negros como a noite mais escura. Foi dada por seu pai quando ainda era uma criança de três anos. Era novo demais para saber a diferença entre fêmea e macho então quando viu o potrinho que recebera logo o quis nomeá-lo assim, Agro que era nome de um grande herói segundo as histórias de sua mãe. Agro crescera junto com ele e não deixava ninguém a montar a não ser ele mesmo ou Mono anos mais tarde. Uma vez seu irmão mais velho tentou monta-la, quando enfim subiu em seu lombo ela retorceu-se e ele caiu sobre o estrume dos vários cavalos de seu pai; Irado, ele buscou uma foice e investiu contra ela, mas Vander entrou na frente e o impediu, abraçou a cabeça do animal e o acariciou, era claro a estima que tinha pela criatura e todos percebiam que o animal também o amava, daquele dia em diante ficou proibido que qualquer um que não fosse Vander tentasse montá-la.
Lembrar de Agro o fez sorrir timidamente, instantes depois se sentiu mal por ter sorrido. Deitado sobre as folhas secas pensava em Mono em seu vestido branco deitada sobre o caixão, passou a tarde toda assim.
Já passava da meia noite quando Larren, o ferreiro, guardava suas ferramentas em um baú depositado em cima de sua bancada. “Lucrei muito hoje” pensou. E realmente havia lucrado, como era um dos poucos ferreiros de Tebas, muito cavaleiros e escudeiros dos senhores que vieram para o velório passaram em seu estabelecimento para amolar espadas, alinhar escudos ou até mesmo lhe comprar alguma parte de armadura. Por ter tido mais trabalho manteve a loja aberta até madrugada quando já estava pronto para fechar.
Uma chuva fina e gelada caía lá fora, ouviu um relinchar fino de cavalo bem próximo, “Um cavaleiro a essa hora?” se perguntou. Olhou para a porta e lá estava seu velho amigo filho do criador de cavalos.
-Vander! Estava preocupado com você! Por onde andou rapaz?
-Procurei ficar sozinho um pouco. –respondeu.
Vander vestia a mesma armadura de couro fervido do dia em que lutara pela mão de Mono, uma fina túnica de lã branca por debaixo e uma espécie de capa de linho tracejada com marcas negra nas costas. Ao todo parecia cavaleiro falido que virara mendigo.
O rapaz continuou:
-Você fez aquelas pontas de flecha que lhe pedi há alguns dias?
-Sim eu fiz, são 60 no total, estão naquele saco em cima da estante. –Larren coçava a careca histericamente quando viu o rapaz pegar o saco. –Mas você disse que só pegaria quando tivesse dinheiro...
O jovem então pôs sobre a bancada cinco moedas de cobre.
-Aqui esta. –disse em tom sério.
-Ah sim. –disse o ferreiro envergonhado. –Mas, amigo, o que faz aqui a essa hora? Por que esta a cavalo e por que está vestido assim?
-Larren, vim para me despedir. Partirei numa jornada agora e não sei se voltarei.
O homem pareceu desconcertado.
-O quê? Que jornada? Pra onde você vai?
-Preciso salvar a vida de Mono!
-O quê? Você não tem o que salvar! A garota esta morta! Não se pode reverter a morte!
-Também era impossível um plebeu noivar com uma nobre!
O ferreiro agarrou o rapaz pelo colarinho, as sua mãos grandes e fortes apertavam-lhe o pescoço, mas este permaneceu imóvel.
-Você não sabe o que esta falando! Que pretende? Conhece alguma magia nunca antes usada ou alguma erva medicinal capaz de levantar os mortos? Desde que se tem história homens e mulheres morrem deixando entes queridos chorando á sua falta, você não é o primeiro garoto, nem será o último! É tão difícil assim aceitar os fatos como um homem?
-Não me importo com a honra ou dignidade de um homem; não me importo com os que morreram no passado ou que morrerão no futuro! Tudo que me importo é Mono, é tudo que tenho! Não vou desistir dela até que eu morra.
O ferreiro o soltou.
-Vander pra onde você vai? –disse quase sussurrando.
-Atravessarei as montanhas do norte até encontrar o vale onde dormem os deuses.
O homem o estudou enquanto saía da ferraria com o saco de pontas de flechas na mão. Percebeu que em sua cintura havia uma espada muito bonita, a mais bela que já tinha visto.
-Vander! –chamou ele se virou. –Vai mesmo jogar sua vida fora por um amor que nem foi consumado?
Vander o encarou, seu olhar era vazio e não demonstrava sentimento algum.
-A minha vida se foi junto com ela, não vou jogar minha vida fora, vou trazê-la de volta.
Saiu e foi de encontro com Agro.
Os primeiros raios de sol invadiram as janelas e chegaram até sua cama, Afros estava sozinho deitado olhando para o teto quando ouviu a porta bater.
-Que entre! Será que eu não posso ter nem mesmo um sono tranquilo?
Dois homens entraram no quarto e fizeram uma longa reverencia ao lorde que continuava deitado. Os dois eram guardas do castelo, se estavam ali alguma coisa devia ter acontecido.
-Meu Senhor. –disse o da direita.
-O que aconteceu? Por qual motivo querem me chamar tão cedo?
-Senhor, uma das criadas que lustra seus objetos disse que sua espada sagrada não esta mais na sala histórica, achamos que foi roubada. –disse um dos homens.
Lorde Afros o olhou horrorizado.
-E o mais urgente. Hoje seriam feitos os preparativos finais para velar a senhora sua filha, mas quando chegamos ao salão o corpo dela não estava mais lá, procuramos em toda parte e não encontramos nenhum vestígio de seu corpo ou da espada. Aldeões dizem ter visto um homem sobre um cavalo negro com algo coberto por um lençol branco na calada da noite.
-O que? Roubaram o corpo de minha filha? Maldito seja quem quer que tenha feito! Homens ao trabalho! Quero minha filha de volta com a cabeça de seu raptor!
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FUI!!!


Atualizou! *O*
ResponderExcluirCara! Coitada da Mono ;-; morreu morrida!
AÊÊ!! VAI LÁ VANDER RESSUSCITA A MONO!!! *U*
EITA LASQUEIRA!! ROUBARAM O CORPO DA MONO!!!щ(ಥДಥщ)
Essa Mono tá na sofrência tadinha ;-; o corpo dela tá na loteria?! (Tá parei! huehue :v)
Agora sim, prevejo muita treta e ação! <3
Muito bom o capitulo Ouma! :3
Ansiosa pro próximo!
Kissus♥